Protagonismo negro que funda um legado de continuidade no interior paulista
A primeira edição da eBUN Mostra de Teatro Negro de Araçatuba inaugura um marco inédito na cena cultural do interior paulista. Realizada em novembro de 2025, a Mostra nasce como um gesto político e poético de afirmação: criar, no coração do Noroeste paulista, um território dedicado ao protagonismo negro nas artes cênicas e à construção de caminhos que apontem para a consolidação de uma política pública cultural antirracista.
Em uma cidade onde quase 30% da população se declara preta ou parda (Censo 2022), mas onde as expressões artísticas negras ainda buscam centralidade e reconhecimento nos circuitos locais e regionais, a eBUN surge como resposta e reinvenção. É o início de uma plataforma de visibilidade, circulação e formação que inscreve os corpos, vozes e imaginários negros no centro da vida cultural local.
Durante cinco dias, Araçatuba se transforma em território de presença. Espetáculos, música, oficinas, performances e palestras dão forma a um encontro entre artistas, coletivos e públicos do interior e da capital, revelando a potência criativa e a diversidade estética do teatro negro contemporâneo. Cada ação se torna parte de uma travessia: da invisibilidade à existência, da memória à invenção.
Mais do que um evento, a eBUN se propõe como modelo de política cultural negra, territorializada e formativa, conectando artistas e comunidades, ativando e fortalecendo redes de produção e afetividade. A Mostra projeta para Araçatuba uma nova perspectiva de futuro em que a arte negra não é exceção, mas fundamento.
A primeira edição da eBUN consolida um legado. Um ponto de virada.
O início de uma política de continuidade, feita por mãos negras, para que a cena do interior também possa se ver, se ouvir e se reconhecer.
Geovanna Leite e Rafaela Cândido
Curadoras e idealizadoras da eBUN Mostra de Teatro Negro de Araçatuba
Composições da Diáspora para Quarteto de Cordas” celebra
a força criativa de compositoras e compositores negros como
Florence Price, George Walker e Hércules Gomes.
Música